ESTUDOS II

 




ESTUDOS DO CURSO DE FORMAÇÃO EM TERAPEUTA EMOCIONAL INTEGRATIVO COM ÊNFASE NOS ESTUDOS EM PSICOLOGIA HUMANISTA

AULA 1

FUNDAMENTOS DA TERAPIA EMOCIONAL INTEGRATIVA


Introdução

A Terapia Emocional Integrativa surge como uma abordagem de cuidado humano voltada para a compreensão das emoções, dos comportamentos e das experiências subjetivas do indivíduo. Em uma sociedade marcada pelo sofrimento emocional, pela ansiedade, pelos conflitos relacionais e pelo esgotamento psicológico, torna-se cada vez mais necessário o desenvolvimento de profissionais preparados para acolher, ouvir e auxiliar pessoas em seus processos internos de transformação.

No contexto da formação em Terapia Emocional Integrativa com ênfase nos estudos em Psicologia Humanista, o ser humano é compreendido de maneira integral, considerando suas dimensões emocional, mental, social, espiritual e existencial. A visão humanista valoriza a dignidade da pessoa, sua capacidade de crescimento, sua liberdade de escolha e o potencial para o autoconhecimento e a autorrealização.

Antes de qualquer técnica ou ferramenta, ser Terapeuta Emocional Integrativo é escolher uma forma de olhar para o ser humano.

Neste módulo de Fundamentos, vamos construir a base que sustenta toda a sua prática: a visão de mundo, a compreensão sobre como a emoção funciona e os princípios éticos que protegem você e o seu cliente.

Com ênfase na Psicologia Humanista e integrando contribuições da Psicanálise, Neurociência e Teoria do Apego, essa primeira etapa te dá o mapa. Um mapa para atender com presença, consciência e segurança, lembrando sempre que curar acontece na relação.

Bem-vindo ao início da sua jornada.

1. OS FUNDAMENTOS DA TERAPIA EMOCIONAL.

Visão Geral dos Referenciais Teóricos - Fundamentos da Terapia Emocional.

Bem-vindo à primeira aula do curso de Terapeuta Emocional Integrativo com ênfase em Psicologia Humanista.

Nessa aula vamos abrir o mapa. Antes de atender qualquer pessoa, o terapeuta precisa saber de onde vem o que ele acredita sobre o ser humano, a dor e a cura.

Teoria sem prática vira discurso. Prática sem teoria vira improviso. Aqui juntamos as duas.

1.1. O que vamos compreender nessa aula.

A Terapia Emocional Integrativa não parte de uma única escola. Ela bebe de várias fontes para olhar o ser humano de forma inteira: corpo, emoção, mente e relação. Mas o coração dessa abordagem é a Psicologia Humanista, porque ela coloca a pessoa no centro.

1.2. Os 3 pilares humanistas que vamos usar como base são:

·         Tendência Atualizante de Carl Rogers: Acredita que todo ser humano tem dentro de si a força para crescer, se curar e se tornar quem realmente é. O papel do terapeuta não é "consertar", e sim oferecer um ambiente de escuta, empatia e ausência de julgamento para que essa força apareça.

·         Aqui e Agora de Fritz Perls - Gestalt: Olhar para o que o cliente está sentindo e vivendo no momento presente. Emoção não se resolve só falando do passado. Ela precisa ser sentida, nomeada e integrada no corpo agora.

·         Sentido e Escolha de Viktor Frankl - Logoterapia: Mesmo na dor existe a possibilidade de encontrar sentido. O ser humano pode escolher a atitude que terá diante do que viveu. Isso devolve protagonismo.

1.3. Como isso se integra com outros referenciais.

Para sermos integrativos, vamos conectar a base humanista com outras lentes importantes:

·         Psicanálise: para entender como as primeiras relações e o inconsciente moldam os padrões emocionais.

·         Neurociência Afetiva: para compreender como o trauma, o estresse e o vínculo mudam o cérebro e como novas relações criam novas conexões.

·         Teoria do Apego: para entender que a base da saúde emocional é o vínculo seguro.

1.4. Para que serve esse mapa conceitual.

Ao final dessa aula você vai sair com clareza de 3 coisas:

·         Qual é a visão de ser humano que sustenta a Terapia Emocional Integrativa: um ser que busca sentido, conexão e autorrealização.

·         Quais são as atitudes essenciais do terapeuta: presença, empatia, autenticidade e validação emocional.

·         Como usar a teoria como bússola na prática: para não se perder no meio da sessão e saber por que você está fazendo cada intervenção.

Curar pela relação. A Psicologia Humanista nos lembra que a maior ferramenta do terapeuta é ele mesmo. Quando oferecemos um vínculo seguro, estamos criando as condições para o cérebro e a emoção do outro se reorganizarem.

1.5. E o que é a Psicologia Humanista?

A Psicologia Humanista é uma abordagem que nasceu na década de 1950 como a "Terceira Força" da psicologia, em resposta ao Behaviorismo e à Psicanálise.

A psicologia humanística é uma perspectiva que enfatiza a visão do indivíduo como um todo e enfatiza conceitos como livre arbítrio, autoeficácia e autorrealização. Em vez de se concentrar na disfunção, a psicologia humanística se esforça para ajudar as pessoas a realizar seu potencial e maximizar seu bem-estar. (SANTOS, 2023, p. 5)

Seus principais representantes foram Carl Rogers e Abraham Maslow. Ela parte de um princípio central: o ser humano não é visto como um conjunto de sintomas, mecanismos ou patologias. É visto como um sujeito inteiro, com potencial de crescimento, liberdade de escolha e busca natural por sentido.

Para a Psicologia Humanista, toda pessoa possui uma tendência atualizante. Isso significa que, dadas as condições certas, o ser humano tende a se desenvolver, a se curar, a se tornar mais autêntico e a viver de forma mais plena. O problema não é a pessoa. O problema é quando o ambiente, as relações e as crenças impedem essa tendência natural de acontecer.

Por isso o foco não está em "consertar" o cliente, mas em criar um espaço terapêutico seguro onde ele possa se reencontrar.

As três condições fundamentais propostas por Carl Rogers são: autenticidade do terapeuta, aceitação incondicional e empatia. Quando o cliente se sente visto e acolhido sem julgamento, ele consegue acessar suas próprias respostas e fazer escolhas mais conscientes.

Na prática clínica, a Psicologia Humanista trabalha com a experiência aqui e agora. Valoriza o corpo, a emoção, o relacionamento terapêutico e a responsabilidade do indivíduo pela própria vida. Não busca rótulos. Busca consciência.

A Psicologia Humanista acredita que o ser humano é capaz. Capaz de se compreender, de se transformar e de viver em congruência com quem realmente é. O papel do terapeuta é caminhar junto nesse processo, oferecendo presença e não direção.

2. O Modelo da Experiência Emocional - Fundamentos da Terapia Emocional.

2.1. Aprendendo a "ler" a emoção.

Porque se a emoção é a linguagem da alma, o terapeuta precisa ser alfabetizado nela.

Na Terapia Emocional Integrativa com base Humanista, não trabalhamos contra a emoção. Trabalhamos a favor dela. Emoção não é problema para resolver. É informação para compreender.

2.2. Como a emoção nasce: o ciclo da experiência emocional.

Toda emoção passa por 3 momentos, e nosso trabalho é acompanhar o cliente em cada um:

·        Geração: O gatilho biológico.

Algo acontece por fora ou por dentro. O corpo percebe antes da mente. A amígdala dispara, o coração acelera, o estômago fecha. Isso é neurociência. É sobrevivência. Pela visão humanista, essa reação não é "errada". Ela mostra que existe uma necessidade viva ali: de segurança, de amor, de respeito.

·        Processamento: O significado psicológico.

O cérebro dá nome para o que o corpo sentiu. "Isso é raiva porque me desrespeitaram". "Isso é medo porque posso ser abandonado".

Aqui entra a história da pessoa, as crenças e os aprendizados do apego. Duas pessoas podem sentir o mesmo gatilho e processar de formas muito diferentes. Nosso papel é ajudar o cliente a mentalizar:

"O que eu estou sentindo de verdade por trás disso?".

·        Expressão: A saída da emoção

A emoção pede para ser vivida. No corpo, na voz, no choro, na fala, no limite. Quando ela é acolhida, ela se transforma e passa. Quando é reprimida, ela fica presa e vira sintoma: ansiedade, tensão, doença.

 

2.3. A visão Humanista sobre a emoção.

Para Rogers e para a abordagem integrativa, não existe emoção boa ou ruim. Existe emoção autêntica.

A nossa função como terapeutas não é ensinar o cliente a "controlar" a emoção. É ensinar ele a acolher, nomear e regular.

É sair de "para de chorar" para "pode chorar, eu fico com você nisso".

É trocar "você está exagerando" por "faz sentido você se sentir assim".

2.4. Para que serve isso na prática clínica.

Quando você domina esse modelo, você para de ter medo da emoção do outro. Você entende que:

·         Corpo fala primeiro: Por isso observamos respiração, postura, tensão.

·         Nomear regula: Dar palavra para a emoção já acalma o cérebro. É o que a neurociência chama de "dar nome para domar".

·         Validar cura: A maior parte das pessoas nunca teve um adulto que dissesse "sua emoção faz sentido". Quando o terapeuta faz isso, ele repara experiências antigas de invalidação.

 

Emoção é movimento. Ela nasce no corpo, ganha sentido na mente e precisa de expressão para se integrar. O terapeuta emocional integrativo não apaga a emoção. Ele cria um espaço seguro para que ela seja sentida até o fim e transformada em consciência.

Pergunta para prática: Na próxima sessão, observe 1 cliente. Consegue identificar nele: o gatilho, o significado que ele deu, e como ele expressa essa emoção no corpo?

 

3. Ética e Normas Profissionais - Fundamentos da Terapia Emocional.

Se técnica sem ética vira manipulação, presença sem limite vira confusão.

Nessa aula a gente define o chão onde toda a prática do Terapeuta Emocional Integrativo vai caminhar.

Na Psicologia Humanista a ética não é uma lista de regras para "não errar". Ela é a expressão do respeito pela dignidade do outro. Carl Rogers chamava isso de "atitude terapêutica". É como eu trato o outro quando ninguém está olhando.

 

3.1. Os 4 pilares inegociáveis da nossa prática.

3.1.1. Respeito pela Pessoa e Autonomia.

O cliente é o protagonista da própria cura. Nosso papel não é dizer o que ele deve fazer, sentir ou decidir.

É oferecer presença, clareza e opções para que ele escolha por ele mesmo.

 

Isso significa: não dar conselho direto, não impor valores, não infantilizar. Acreditamos na tendência atualizante: a pessoa sabe o caminho quando encontra um ambiente seguro.

Deve informar, educar e apoiar o paciente, garantindo que suas escolhas sejam qualificadas com o bem-estar e a saúde. E, quando essas escolhas desafiarem a norma padrão médica, é crucial que exista um diálogo aberto, empático e respeitoso, buscando encontrar o melhor caminho a seguir para ambas as partes. (MONTEIRO, 2026, p. 6)

Epa! Vimos que você copiou o texto. Sem problemas, desde que cite o link: https://www.migalhas.com.br/depeso/395201/autonomia-do-paciente-respeitar-ou-intervir

3.1.2. Confidencialidade e Sigilo.

Tudo o que acontece na sessão fica na sessão. Isso cria segurança para o cliente se abrir.

O sigilo só pode ser quebrado em 3 situações: risco de vida do cliente, risco para terceiros, ou exigência legal.

Fora isso, nem para "estudar caso com colega" você pode citar nome, detalhes ou dar pistas.

Na prática integrativa: isso inclui prints, áudios, anotações e até conversas informais.

 

3.1.3. Competência e Limites Técnicos.

Só atenda dentro do que você estudou e se sente seguro.

Terapeuta Emocional Integrativo trabalha com emoção, vínculo e autorregulação. Não faz diagnóstico médico, não prescreve remédio, não substitui psiquiatra ou psicólogo quando o caso exige.

Saber dizer "isso não é para mim, mas posso te indicar alguém" também é ética.

E ética é também fazer sua própria terapia e supervisão. Você não pode acolher no outro o que você nega em você.

 

3.1.4. Vínculo Sem Abuso de Poder.

A relação terapêutica é assimétrica. O cliente chega vulnerável.

Por isso são inegociáveis: não ter relação afetiva/sexual com cliente, não usar a sessão para benefício próprio, não pedir favores, não fazer promessas de cura.

 

Na visão humanista, autenticidade não é virar amigo. É ser verdadeiro dentro do papel de terapeuta: presente, congruente e com limites claros.

 

3.2. Como isso aparece no dia a dia.

·         Contrato terapêutico claro: valor, horário, faltas, sigilo, objetivo. Tudo combinado antes.

·         Cuidado com a imagem: não prometer "cura em 3 sessões" nem usar depoimento para manipular.

·         Auto-observação: "Estou atendendo para ajudar ou para me sentir importante?”

·         Registro: anotar evolução, mas sem expor a identidade do cliente.

 

Ética na Terapia Emocional Integrativa é cuidar da relação. É lembrar que do outro lado tem um ser humano buscando sentido, e que a nossa maior responsabilidade é não ferir.

Quando o cliente sente que está seguro, respeitado e livre para ser quem é, o cérebro dele consegue sair do modo defesa e entrar no modo cura. E isso só acontece em um setting ético.

Conclusão

Os fundamentos da Terapia Emocional Integrativa nos lembram que curar é, antes de tudo, criar relação. Quando unimos os pilares da Psicologia Humanista — a crença no potencial do ser, o olhar para o aqui e agora e a busca por sentido — com o entendimento da psicanálise, do apego e da neurociência, passamos a olhar o ser humano de forma inteira: corpo, emoção, mente e história.

 

Aprender a ler a emoção, acolher sem julgar e nomear o que o corpo sente permite que o cliente saia da sobrevivência e entre no processo de autorregulação e consciência. E tudo isso só acontece quando a prática é sustentada por uma ética clara, que protege, respeita e devolve protagonismo.

 

No fim, a maior ferramenta do terapeuta emocional integrativo é ele mesmo. É na presença, na escuta e no vínculo seguro que o cérebro se reorganiza, a emoção encontra lugar e a pessoa reencontra a si.

 

BIBLIOGRAFIA

EDUARDA, Maria. Ética no dia-a-dia das relações pessoais e Profissionais. Disponível em: <> Acessado em 27 de junho de 2026.

GETTYIMAGES. Ilustração de O que seu cérebro está pensando? <https://www.gettyimages.com.br/detail/ilustra%C3%A7%C3%A3o/what-is-your-brain-thinking-ilustra%C3%A7%C3%A3o-royalty-free/1449159014?adppopup=true> Acessado em: 22 de maio de 2026.

MONTEIRO, Ricardo. Autonomia do paciente: respeitar ou intervir? Disponível em: <https://www.migalhas.com.br/depeso/395201/autonomia-do-paciente-respeitar-ou-intervir> Acessado em 17 de junho de 2026.

SANTOS, João Vitor. O Que É Psicologia Humanista? Disponível em: <https://www.psymeetsocial.com/blog/artigos/o-que-e-psicologia-humanista> Acessado em 21 de junho de 2026.




AULA 2

FUNDAMENTOS DA TERAPIA EMOCIONAL INTEGRATIVA

FUNDAMENTOS DA PSICOLOGIA HUMANISTA

 

INTRODUÇÃO

Esta apostila foi pensada para te apresentar uma forma diferente de olhar para o ser humano. Uma forma que não busca rotular, diagnosticar ou "consertar". Uma forma que acredita, antes de tudo, no seu potencial. A Psicologia Humanista nasceu na década de 1950-60 como a "Terceira Força" da Psicologia. Ela surgiu para dizer que o ser humano não é apenas uma máquina de estímulos e respostas, nem apenas um conjunto de conflitos inconscientes.

O ser humano é possibilidade. É escolha. É crescimento. Nesta formação de Terapeuta Emocional, a base humanista será o coração do seu trabalho.

Iremos conhecer os pensamentos de grandes nomes como Carl Rogers, Abraham Maslow e Fritz Perls, que nos ensinaram a colocar a pessoa no centro, e não o problema. Ao longo deste módulo, vamos estudar juntos:

A história e os princípios que deram origem a essa visão. Os conceitos-chave que sustentam a prática: Tendência Atualizante, Autorrealização, Abordagem Centrada na Pessoa e Fenomenologia. A visão de ser humano que guia todo terapeuta humanista: um ser único, com recursos internos, capaz e responsável pelas suas escolhas.

Nosso objetivo não é te dar um manual de técnicas. Nosso objetivo é te formar como um profissional que sabe escutar sem julgar, acolher sem invadir e caminhar junto com o outro no processo de se reencontrar.

Porque na Psicologia Humanista, a grande pergunta não é: "Qual é o seu diagnóstico?"

A grande pergunta é: "Quem é você de verdade e o que você deseja para a sua vida?" Que esta jornada te ajude primeiro a olhar para si, e depois a ser um instrumento de transformação na vida de outras pessoas.

"A Psicologia Humanista não te dá respostas. Ela te devolve para você mesmo, para que você encontre as suas.

"Bons estudos!


1. HISTÓRIA E PRINCIPAIS AUTORES.

 

1.1. Carl Rogers - Abordagem Centrada na Pessoa.

 

Rogers acreditava que toda pessoa tem dentro de si os recursos para se curar e crescer.

Para ele, o terapeuta não "trata" o paciente. Ele oferece um ambiente seguro para que a pessoa se encontre.

 

Figura 1: Empatia Imagens

Fonte: (FREEPIK, 2026, p. 4)

 

As 3 atitudes do terapeuta rogeriano:

Empatia, Congruência e Consideração Positiva Incondicional.

 

1.2. Abraham Maslow - Hierarquia das Necessidades e Autorrealização.

Maslow estudou pessoas "saudáveis" e não doentes. Ele percebeu que o ser humano busca evoluir.

Criou a Pirâmide das Necessidades e o conceito de Autorrealização: o desejo de tornar-se tudo aquilo que se pode ser.

Maslow disse que antes de buscar crescer, o ser humano precisa ter as coisas básicas da vida resolvidas. Ele criou a Pirâmide das Necessidades pra mostrar isso.

Imagina uma pirâmide. Na base estão comida, água, sono e segurança. Só quando isso está ok a pessoa consegue pensar em amizade, amor e autoestima.

No topo da pirâmide está a Autorrealização. É quando a pessoa usa todo o seu potencial e vive sendo quem ela realmente é.

Exemplo: Uma pessoa que passa fome não consegue focar em "realizar um sonho". Primeiro ela precisa comer. Mas quando ela tem casa, trabalho e amigos, ela pode começar a perguntar: "qual é o meu propósito? o que eu nasci pra fazer?". Isso é buscar a autorrealização.

Na figura abaixo vemos a Pirâmide das necessidades de Maslow, significando que o ser humano busca satisfazer suas necessidades em uma ordem. Primeiro as mais básicas, e só depois consegue focar nas mais elevadas. É como se fosse um degrau. Até você resolver um, fica difícil subir para o próximo.

 

Figura 2: Pirâmide das Necessidades de Maslow

Fonte: (ADMFÁCIL, 2026, p. 3) 

Se olharmos de baixo pra cima, percebemos o que cada nível quer dizer:

Fisiológicas – vermelho.

É a base. São as necessidades para sobreviver: respirar, comer, beber, dormir.

Exemplo: Se você está com muita fome, não consegue pensar em mais nada.

De Segurança – laranja.

Quando a base está ok, buscamos segurança: emprego, saúde, casa, estabilidade.

Exemplo: Ter um trabalho fixo para não se preocupar com o aluguel.

Sociais – amarelo.

Com segurança, passamos a buscar conexão: família, amizades, amor, pertencer a um grupo.

Exemplo: Sair com amigos e se sentir parte de algo.

4. Estima – verde.

Aqui a gente busca reconhecimento: autoestima, confiança, respeito dos outros, status.

Exemplo: Ser elogiado no trabalho ou se sentir capaz de realizar algo.

5. Autorrealização - azul, topo.

É o topo da pirâmide. É o desejo de usar todo o seu potencial e se tornar quem você pode ser: crescimento, autocontrole, independência, desafios.

Exemplo: Um artista que vive da arte, um professor que ama ensinar, alguém que vive seu propósito.

Portanto, Maslow dizia que a gente só consegue pensar em "realizar sonhos" quando as necessidades de baixo já estão mais ou menos resolvidas. Por isso na terapia humanista a gente olha pra pessoa inteira, não só pro problema.

1.3. Gestalt-terapia - Fritz Perls.

A Gestalt traz o foco no "aqui e agora". Não importa só a história, importa o que o corpo e a emoção estão dizendo neste momento.

Palavra-chave: Consciência - Awareness. Perceber, sentir e assumir responsabilidade pelo que é. O foco da Gestalt-terapia é no que você está sentindo e fazendo neste momento.

A palavra principal é Consciência, ou Awareness. É perceber o que está acontecendo no corpo, na emoção e no pensamento agora, sem fugir.

Exemplo: Se o paciente está ansioso na sessão e começa a mexer muito no pé, o terapeuta pode perguntar "o que você está sentindo no corpo agora?". A ideia é você perceber a ansiedade no momento em que ela acontece.

Outro exemplo: Em vez de dizer "eu sou assim mesmo", a Gestalt te ajuda a assumir responsabilidade e dizer "eu escolho agir assim". Isso te dá poder para mudar.

Portanto, a Gestalt tira o paciente do piloto automático e o traz para o presente, para ele dar conta e escolher diferente.

2. CONCEITOS-CHAVE DA ABORDAGEM HUMANISTA.

A psicologia humanista oferece uma perspectiva revigorante dentro do campo da psicologia, enfatizando a bondade fundamental e o potencial de crescimento inerentes a cada indivíduo. O movimento da psicologia humanista teve um impacto histórico significativo na área, com sua abordagem holística contribuindo para uma compreensão mais profunda da saúde mental e da motivação. (BRENNER, 2025, p. 4) 

·         Tendência Atualizante - É a força natural que existe em todo ser humano para crescer, se desenvolver e buscar seu melhor. Mesmo em meio ao caos, a planta busca o sol. O ser humano também busca saúde. A Tendência Atualizante é aquela força natural que todo ser humano tem dentro de si para crescer, se desenvolver e ficar melhor. É como se fosse um impulso para a vida e para a saúde, mesmo quando as coisas estão difíceis.

Exemplo: Pensa numa plantinha que nasce no meio do concreto. Mesmo sem sol direito e sem espaço, ela cresce e busca a luz. O ser humano faz parecido.

Exemplo: Mesmo depois de passar por uma decepção ou trauma, a pessoa ainda busca terapia, ainda quer aprender, ainda quer ser feliz. Isso é a tendência atualizante agindo. É a nossa capacidade natural de buscar cura, evolução e o nosso melhor, se tivermos um ambiente que ajude.

·         Autorrealização - É o processo de viver de acordo com seu verdadeiro eu. É sair das máscaras e expectativas do outro para viver sua essência. Pergunta humanista: "Quem eu realmente sou, sem o que os outros esperam de mim?"

·         Abordagem - Centrada na Pessoa – ACP - Base da prática clínica de Rogers. O cliente é o especialista de si mesmo. O terapeuta cria um espaço de acolhimento sem julgamento para que a pessoa se escute e faça suas próprias escolhas.

·         Fenomenologia - É olhar o mundo pelos olhos do outro. Em vez do terapeuta interpretar, ele pergunta: "Como isso é para você?" A verdade está na experiência subjetiva da pessoa. Fenomenologia é olhar o mundo com os olhos da outra pessoa. É suspender o que você acha e tentar entender como a experiência é para ela. Na terapia humanista o terapeuta não diz "eu sei o que você sente". Mas ele faz a pergunta: "Como isso é para você?" Porque só a pessoa sabe de verdade o que está vivendo.

Exemplo: Se um cliente diz "meu chefe me humilhou", em vez do terapeuta dizer "isso é abuso", ele pergunta "o que você sentiu na hora? O que isso significou pra você?". Talvez para a pessoa foi vergonha, talvez foi raiva. Por exemplo: Duas pessoas podem passar pela mesma perda. Para uma pode ser alívio, para outra pode ser um vazio enorme. As duas verdades são válidas. Portanto, fenomenologia é respeitar a experiência única de cada um e não impor a nossa interpretação.

3. VISÃO DE SER HUMANO NA PSICOLOGIA HUMANISTA.

O ser humano é visto como único, com potencial e em crescimento.

3.1. Para a Psicologia Humanista, o ser humano é:

·         ÚNICO: Não existe fórmula pronta. Cada história, cada dor e cada potência são diferentes.

Para a Psicologia Humanista, cada pessoa é única. Não existe receita pronta que serve para todo mundo. Cada um tem sua história, sua forma de sentir a dor e seu jeito próprio de usar os talentos. Exemplo: Duas pessoas podem ter passado por ansiedade. Uma melhora conversando e escrevendo, a outra melhora fazendo atividade física e meditação. Não dá pra aplicar o mesmo método nos dois.

Exemplo: O que te deixa feliz pode não fazer sentido para outra pessoa. Um pode se realizar viajando o mundo, outro se realiza cuidando da família em casa.

Portanto, na visão humanista a gente não encaixa a pessoa na técnica. A gente adapta a escuta para a pessoa, porque cada ser humano é diferente.

·         COM POTENCIAL: Não somos definidos apenas pelos traumas. Temos recursos internos para mudar. Na visão humanista, você não é só seus traumas. Você tem força dentro de você para mudar.

Exemplo: Mesmo com dificuldades, a pessoa usa sua resiliência para recomeçar. Por isso, a terapia olha para o que você já tem de bom, não só para o que te machucou.

·         RESPONSÁVEL PELAS SUAS ESCOLHAS: Mesmo diante das dificuldades, somos livres para escolher como responder à vida. Não somos vítimas do passado.

Por isso o foco não é "qual o seu CID". O foco é: "Quem é você? O que você sente? O que você quer construir a partir de agora?

"PARA FECHAR A NOSSA AULA DE HOJE: FRASE DE IMPACTO"

A Psicologia Humanista não te dá respostas. Ela te devolve para você mesmo, para que você encontre as suas.

"Atividade prática sugerida:

O prezado aluno deve escrever: "Quais 3 potenciais meus eu tenho deixado de lado por medo ou pela opinião dos outros?"

BIBLIOGRAFIA

ADMFÁCIL. Pirâmide das Necessidades de Maslow. Disponível em: <https://www.admfacil.com/piramide-das-necessidades-de-maslow/> Acessado em 12 de maio de 2026.

BRENNER, Brad. Psicologia Humanista: Princípios e Ideias Fundamentais. Disponível em: <https://therapygroupdc.com/therapist-dc-blog/exploring-humanism-in-psychology-principles-and-practices-for-growth/> Acessado em 20 de maio de 2026.

FREEPIK. Empatia imagens. Disponível em: <https://www.magnific.com/br/fotos-vetores-gratis/empatia> Acessado em 27 de maio de 2026.

 






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